segunda-feira, 13 de setembro de 2010

"Ápeiron"

“Ápeiron”
O Princípio dos Princípios

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Era meados de Inverno na Cidade Maravilhosa. No Centro, final da tarde de sexta-feira, por volta das 18 horas, o trânsito vivia o caos, as pessoas iam e vinham velozmente, mais rápidas que o tempo, acelerando os passos em direção aos seus apartamentos em outros bairros do Rio. Notei que se preocupavam com alguma coisa. Talvez os problemas da família ou os conflitos de seus trabalhos e empregos. Quem sabe as dificuldades de relacionamento com algum parente, amigo ou conhecido. Ou possivelmente crises de amor com suas namoradas, paqueras mal realizadas, brigas com suas parceiras de cama ou distúrbios com suas companheiras de caminhada. Ou ainda as turbulências diárias e noturnas como pagamento de aluguel e condomínio, dívidas de cartões de crédito, compras de supermercado mal sucedidas, débitos com IPTU e IPVA, desequilíbrio nos orçamentos domésticos, falta de dinheiro em suas contas correntes, poupanças em baixa ou no zero, e até situações de inadimplência junto aos mercados de ações, do SERASA e do SPC. Igualmente, transtornos mentais e emocionais, desordens internas, indisciplina moral e espiritual, ou desorganização de sentimentos, idéias e atitudes. Sim, observei em todas essas circunstâncias aparentemente contraditórias, a presença de um Espírito de luta, de busca por liberdade, fonte da verdadeira felicidade. Um Espírito Guerreiro, de mentalidade à procura de segurança e estabilidade, mas cuja ordem interior e equilíbrio externo dependiam desse movimento permanente de trabalho e família, de rua e supermercado, de restaurante e shopping, de botequim e padaria, de farmácia e jornaleiro, de bate-papo com colegas de travessia, de relações onde os princípios eram contrários e os valores adversos, da interatividade de conteúdos em forma de pontos de vista novos e diferentes, de intercâmbios culturais muitas vezes em choque, do duelo de visões da realidade em constante dialética de pensamentos e ações, enfim, uma cultura de combate atravessava as consciências daqueles transeuntes da Avenida Rio Branco, no fim de um dia de trabalho, de compromissos realizados e de responsabilidades satisfeitas. Sim, era o Império do “Ápeiron”.

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Jorge e Paula era um casal romântico, residente na Tijuca, que trabalhavam no Teatro Municipal, ele como violinista da Orquestra e ela como dançarina da elite de Ana Botafogo. Um casal como outro qualquer. De vida simples, de trabalhos intensos e constantes, de afazeres domésticos carregados de problemas e contradições, de atividades na rua e em casa plenas das turbulências cotidianas, de programas de televisão alternativos e notícias e reportagens ouvidas pelo rádio com bastante atenção, interesse e desejo de participação na vida da sociedade carioca, em que se inseriam no dia a dia de uma existência globalizada, de condições naturais e ambientais instáveis e inseguras, de ambientes também alienantes, presos à irrealidade de um mundo em mudança e sujeitos algumas horas à irracionalidade de uma imaginação fértil submetida às intempéries de uma realidade local tremendamente conturbada, discordante de suas raizes e divergente de suas normas de conduta quase sempre esquecidas por suas comunidades envolvidas pela onda de violência e balas perdidas, de confrontos entre policiais e bandidos, de gente que prefere atitudes agressivas, a cultura da morte e uma mentalidade em que predominam a confusão das idéias, as ações impensadas, os erros cometidos em nome da maldade de quem não dá sentido à vida, é indiferente com os outros, ignora a solidariedade e a fraternidade, perde-se em verdades relativas e certezas misturadas com a dúvida, escravos do nada e do vazio espiritual, de situações indefinidas e comportamentos indeterminados, revelando de fato o inconsciente coletivo de uma sociedade em transformação, ocupada ora e outra com as opções negativas de uma realidade social onde reina o pessimismo das massas, a fome a miséria dos morros e favelas, a mendicância das ruas e avenidas, becos e praças, a violência dos marginais e o desrespeito das autoridades, a ausência de competência das instituições e a insistência de uma ética prisioneira da luz das trevas, de ódios chamados de amores, mortes modificadas em vidas, bens transformados em maldades, onde a paz é a crise da convivência, identificada com crianças que não reverenciam seus pais, de jovens que não sonham mais, de velhos doentes e no limite de sua natureza patológica, em torno da qual o universo parece estar na berlinda entre o bem e o mal, o contexto histórico voando nas asas do imaginário sem portas nem janelas, sem teto nem chão, o que demonstra o mal-estar dos humanos que convivem com a guerra constante nas ruas, o desemprego assustador, o conflito familiar, a carência afetiva, quadros psicológicos que refletem a ideologia dos céticos, a indiferença dos niilistas, o relativismo da verdade e dos conhecimentos, o ateísmo das pessoas, a indefinição das consciências e o indeterminismo individualista dos que compõem e integram os dias e as noites e as madrugadas de um Rio sem transparência, precisando de oportunidades e possibilidades de mudança, de metamorfose rural e urbana, de transformação da realidade para melhor, a partir de que os indivíduos e grupos respirem saúde mental, física e espiritual, bem-estar psicológico e social, e o bem-comum da sociedade seja uma realidade concreta, onde todos e cada um se sintam bem e em paz com suas cabeças, com qualidade de vida respeitável, riqueza de conteúdos existenciais exemplares movidos pelos princípios morais e religiosos de comunidades comprometidas com valores do bem e da bondade, da concórdia e da convergência, da interação de pessoas que compartilham amizades sinceras e amores românticos, de atitudes generosas em seu entorno, de ações solidárias e fraternas uns com os outros. Esse o mundo de Jorge e Paula. Nesse universo de alternativas múltiplas e de possibilidades polivalentes, eles encontraram enfim o “Ápeiron”.

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De origem grega, a realidade “Ápeiron” concebida primeiramente por Anaximandro, discípulo de Tales, filósofo pré-socrático da Escola de Mileto, na Antiguidade, século VI a.C., designa o fluxo de situações indefiníveis e o complexo de circunstâncias indetermináveis, os momentos de crise política, social e econômica que exigem soluções terapêuticas otimistas, os instantes turbulentos da nossa vida de cada dia que requerem respostas positivas, o estado caótico de nossa existência temporal que precisa de resoluções saudáveis e agradáveis a todos e cada um, os fenômenos que nos contradizem cotidianamente necessitando de remédios que curem as nossas anomalias mentais e emocionais, salvem o nosso corpo, mente e espírito de nossos transtornos físicos e materiais e libertem as nossas almas de nossos distúrbios psicológicos e ideológicos, oferecendo-nos outras, novas e diferentes alternativas de mudança em nosso universo interior e externo, possibilidades de vida e trabalho, saúde e educação, razoáveis e sensatas, equilibradas e ordenadas, disciplinadas e organizadas, capazes de dissipar as obscuridades de um contexto histórico incerto e inseguro, inconstante e insatisfeito consigo mesmo, dando então aos homens e mulheres de sua época precisa boas perspectivas presentes e futuras de saúde social, cultural e ambiental, onde se obtenha vida de qualidade e riqueza de existência, destruindo assim o quadro de contradições internas que muitas vezes se apodera de uma determinada sociedade. Sim, o ”Ápeiron” é uma luz para a humanidade, uma força que a anima, uma energia que a faz crescer, progredir e evoluir, um Inconsciente Coletivo que se entusiasma no cotidiano tendo em vista a superação de suas dúvidas e incertezas, a ultrapassagem de suas dificuldades diárias e noturnas e a transcendência de seu tempo dialético e crítico, abrindo para as comunidades motivos para ir além de seus conflitos, e encontrar um ótimo incentivo para seus sonhos de bem-estar coletivo, de paz social e de quase perfeita saúde da consciência em caminho para a felicidade. O “Ápeiron” é realista. Quer mudar para melhor o nosso cotidiano. É o Espírito da Perfeita Metamorfose circunstancial, que encontra as devidas respostas para os nossos problemas e apresenta as mais seguras soluções para as nossas dificuldades. É um Espírito Universal. O Princípio de uma vida boa e melhor. A Raiz da vida.

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Hoje, sábado, por volta do meio-dia, o músico Jorge Teixeira das Neves, 37 anos, e sua esposa dançarina Paula Marques de Souza, 29 anos, sairam juntos para almoçar no Restaurante Caçador, na Rua Doutor Satamini, na Tijuca, e chegando perto dali, se depararam com um tiroteio em plena Praça Saens Pena envolvendo policiais do BOPE e traficantes de drogas que então comerciavam maconha e cocaina para seus clientes vindos de algumas áreas da Cidade. Houve confronto entre os marginais e a PM, balas perdidas atravessavam a calçada e o meio da rua, por onde circulavam pessoas e suas famílias, filhos e netos, e ônibus e automóveis seguindo pela via expressa da Rua Conde de Bonfim. Neste momento, sem mais nem menos, os dois acompanhados de seus 2 filhos, se esconderam em uma Banca de Jornal situada na esquina da Rua Carlos de Vasconcelos também na Praça. Então, uma imensa gritaria sacudiu o silêncio das ruas, abalou o comércio local, balançou os transeuntes que por lá passavam, os carros pararam, a confusão se instalou, o medo tomou conta de todos, alguns se desesperaram e muitos neste momento aflitos entraram em pânico. Jorge e Paula e seus herdeiros fizeram silêncio e uma oração. Pediram calma às pessoas que ali estavam e as mantiveram tranquilas, seguras e atentas, diante do episódio violento que durou cerca de 15 minutos e deixou 2 bandidos mortos em cima da calçada junto ao jornaleiro. O casal saiu de si e foi ao encontro dos outros. Confiando em Deus, pois eram pessoas de fé, providenciaram um jeito de dar segurança àqueles que ora se viam conturbados emocionalmente e aflitos em suas mentes e corpos transtornados com as ocorrências presentes e abalados com o desenrolar dos acontecimentos. Dirigiram-se a cada um em particular, dizendo-lhes que ficassem sossegados, não reagissem com agressividade, mantivessem o equilíbrio e a ordem interior, agissem com bom-senso nesse instante e aguardassem um final feliz para os fatos consumados. Senti na verdade a sensibilidade do casal, sua atitude solidária e seu lado fraterno tentando acalmar os ânimos e levar paz e bem àquele ambiente de distúrbios inflamáveis e turbulências inquietantes. De fato, Paula e Jorge, auxiliados pelos seus garotos, pensaram positivamente e comportaram-se de um modo otimista perante o quadro negro do contexto contraditório ali insistente. Sim, perceberam a ação do “Ápeiron”, intervindo nos acontecimentos policiais e interferindo no destino daquelas pessoas e seus ambientes de vida transformados em filme de bang-bang, em terror do apocalipse e em fúria de perigosas atividades onde os contrários falaram mais alto e as adversidades soltaram um grito de guerra no meio daquela gente inocente, sem opções de segurança e possibilidades de sair quem sabe ilesas daquele combate das ruas. Observei portanto a mesma ação do “Ápeiron”, desde sempre e para sempre ajudando a vida a resolver os seus problemas, mostrando à humanidade o caminho certo do equilíbrio e do bom-senso, e outrossim oferecendo a alternativa do otimismo que levanta e anima, da bondade que acalma e sossega, da atitude pacífica de quem constrói a sua volta a concordância de grupos e indivíduos separados pela confusão das balas e o sussurro dos mais corajosos, e levantam entre si a bandeira da convergência para criar em torno de si as condições cotidianas que levam o bem às pessoas, a paz aos conflitos e a solução correta para as dificuldades da vida. Com efeito, o Espírito do “Ápeiron” ali estava presente, mexendo para o bem no cotidiano, movimentando as pessoas para a mútua ajuda, a cooperação de serviços e a colaboração de esforços, trabalhos sem fim e empenhos sem medida, com o intuito de trazer de volta a paz e a tranquilidade àqueles ambientes controversos, garantir o bem-estar e o bem-comum da sociedade, e dar segurança às famílias envolvidas em seus momentos de tensão e apreensão, de pressão social e incômodo das autoridades. Através de Paula e Jorge e seus familiares, o “Ápeiron” operou o milagre da transformação positiva e a metamorfose otimista que sustentou a calma de todos e a tranquilidade da maioria. Sim, o “Ápeiron” está presente em nossa realidade cotidiana. Ele nos ajuda a vencer as barreiras da existência e os obstáculos da vida. Ele é real e atual.

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Uma semana depois, percorríamos o Largo da Segunda –feira, igualmente no Bairro da Tijuca, e no caminho conversávamos sobre o “Ápeiron”, a Origem da Natureza e o Fundamento do tempo e da eternidade, o Princípio do Universo e a Raiz de todos os seres e de todas as coisas, a Fonte da Paz e a Base do bem e da bondade, o Sustento da vida cotidiana, quando, de repente notamos um tremendo engarrafamento que ia do Supermercados Mundial na Haddock Lobo até a Rua dos Araújos, bloqueando todo o tráfego da Rua Conde de Bonfim, a essa altura, 10 horas da manhã, bastante lotada de veículos e transeuntes, carros particulares e ônibus intermunicipais, táxis e vans, e observamos que os motoristas e as pessoas na rua e na calçada viam-se perturbadas pelo barulho do trânsito, parado devido a obras de saneamento básico e consertos de eletricidade em ruas paralelas e transversais, o que certamente provocou um clima de instabilidade emocional nas adjacências, fazendo com que pessoas se entreolhassem inquietas com a mobilidade anormal e a falta de planejamento urbano em situações como essa, que refletia o estado patológico de mentes desequilibradas, de consciências insensatas querendo resolver tudo na base do quebra-quebra e da pancadaria, de inteligências submetidas aos transtornos das ruas e às intemperanças de grupos que se aproveitavam da turbulência mental e da confusão generalizada naquelas localidades para espalhar uma mentalidade cuja ideologia é a briga eo conflito, a contrariedade e a adversidade, a crítica e a dialética, o ceticismo das aparências que se contradizem, o choque de pontos de vista insustentáveis e incompatíveis, enfim, uma rede de complicações fora da razão e da realidade, que assumiam aquele dia a dia levando-lhe barreiras psicológicas e sociais que visavam a sua inadimplência real e a sua insustentabilidade cotidiana. Nesse instante, Jorge Teixeira e Paula Souza com seus amigos, parentes e familiares que ali se encontravam, sentiram a energia do “Ápeiron” e tomaram a iniciativa de fazer alguma coisa por aquele caos urbano instalado em regiões tijucanas. E o que fizeram naquelas circunstâncias críticas e onerosas para os cidadãos lá parados, foi lançar as bases da boa convivência de moradores, vizinhos e trabalhadores em busca de fraternidade entre os indivíduos e solidariedade entre suas comunidades, desenvolvendo ações e palavras de conforto e segurança, de equilíbrio e sensatez, de otimismo e alegria, a fim de que todos suportassem com paciência aquele ambiente engarrafado, transmitindo-lhes a calma do corpo e da alma, e a tranquilidade e o repouso do espírito, o que os ajudaria a conviver bem com o problema gerado, e quem sabe encontrar a melhor saída para tal congestionamento de vidas, carros e comércio ambulante em geral. Sim, a força do “Ápeiron” estava lá mais uma vez. Sua luz nos iluminou e encontramos respostas positivas para as nossas dificuldades momentâneas. Seu Espírito desceu no meio de nós, e percebemos que as pessoas se controlavam e se animavam para a vida, dominavam a si mesmas, se contagiavam umas às outras, sorriam para todos os lados, para todas as faces e para todos os contextos humanos e naturais que ali estavam. Era o “Ápeiron” atuando outra vez. Movimentando a vida. Transformando para melhor a realidade. Salvando como sempre o cotidiano da existência. Pouco a pouco, o trânsito fluiu, as coisas voltaram ao normal, a natureza respirou, os passarinhos cantaram beijando as flores de início da primavera. E a vida continuou. Os homens seguiram. E as mulheres caminhavam. Jorge e Paula se abraçaram e se beijaram e se dirigiram para o trabalho no Teatro Municipal.

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Os gregos me ensinaram que o “Ápeiron” é o Princípio dos Princípios. Compreendendo-O entendemos que a vida é turbulência, a realidade é caos e o cotidiano está em crise constantemente, exigindo do homem e da mulher, em função dos quais giram todas as coisas e todos os seres da natureza e do universo, a ordenação racional dos ambientes contraditórios, a maneira disciplinadora dos comportamentos instáveis e inseguros, o modo organizador das idéias aparentemente confusas, dos sentimentos quase indefinidos, das atitudes muitas vezes impensadas, incoerentes e sem lógica, e dos conhecimentos e experiências indeterminadas, tornando assim esse mundo de complicações ideológicas e desrazões sociais e psicológicas, de loucuras imaginárias e ações irreais e irracionais, mais inteligíveis, o que transforma a pessoa humana em mais responsável por suas descobertas científicas, por suas intervenções na realidade cotidiana e por suas interferências no destino de populações inteiras, que dependem de sua boa razoabilidade, de sua ética comportamental equilibrada e de seu otimismo espiritual, alegria social e bom-senso em suas atividades de cada dia e de toda noite. Deste modo, abstraimos do cotidiano o “Ápeiron”, e desvelamos a sua capacidade de apreender a solução dos problemas da realidade, a sua potencialidade capaz de fortalecer pessoas e iluminar ambientes visando a saúde da coletividade e o bem-estar de seus grupos, comunidades e sociedades múltiplas e polivalentes. O “Ápeiron” é o Gestor da história da humanidade, a Beleza da natureza e a Grandeza do universo, a Riqueza de uma criação sujeita aos seus arbítrios responsáveis e aos seus caprichos comprometidos com as boas relações humanas e naturais dos cidadãos que integram sociedades emergentes, políticas alternativas, culturas de respeito e de direito, e mentalidades que advogam o bem da vida e a paz das consciências. Nesse campo de convergências que se constroem e de discordâncias que se apagam, ali está o Espírito do “Ápeiron” respondendo às inquietações de suas criaturas, resolvendo problemas, conflitos e dificuldades, e solucionando turbulências, crises de toda ordem e o caos da vida social em que várias vezes mergulhamos, cumulando-nos assim de seus créditos sem fim, de seus favores sem medida e de seus benefícios inesgotáveis. O “Ápeiron” não é um deus, mas é mais do que um deus. É o Senhor que responde positivamente aos tempos indefiníveis e trata com otimismo, sorriso e alegria as questões humanas, naturais e sociais, apresentando-lhes a ótima resolução para suas dúvidas eternas, incertezas relativas e vazios existenciais. A Energia do “Ápeiron” conduz a história e o tempo, faz acontecer a bondade, leva a paz às comunidades e faz do bem o segredo da felicidade e o sucesso na vida. O “Ápeiron” é bom e nos faz bem.

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Manifesta-se o “Ápeiron” de diferentes maneiras como, por exemplo, na música de Jorge Teixeira ou na dança de Paula Souza; nas coisas boas que acontecem na vida, como uma partida de futebol no Maracanã entre Flamengo e Vasco da Gama ou no desfile da Mangueira ou do Salgueiro no Sambódromo da Marquês de Sapucaí durante o Carnaval deste ano; nos acontecimentos positivos do final de semana como a descoberta da cura da AIDS ou a criação de mais 200 escolas de ensino médio para os estudantes do Rio; nos fenômenos cotidianos depois de atos de violência e agressividade quando se tiram ótimas lições para a vida como o tiroteio de balas perdidas entre policiais e bandidos, a greve dos professores do Estado, o engarrafamento na Avenida Brasil, a passeata dos alunos do ensino universitário pela Avenida Rio Branco no Centro da Cidade, o casamento matrimonial de um homem e uma mulher que se amam, se respeitam e se valorizam um ao outro, a festa de aniversário de 15 anos de uma jovem garota de Copacabana, a Copa do Mundo de 2014 no Brasil e as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, a Guerra do Iraque ou do Afeganistão, Shows musicais de cantores e bandas de rock, eventos artísticos e esportivos de grande porte, espetáculos de teatro e cinema, rádio e televisão dos quais participam muitos artistas, atores e atrizes em geral, e assim por diante. Isso mostra o realismo do “Ápeiron” e seu poder de apreensão de bons conteúdos de existência e sua força de abstração de circunstâncias favoráveis ao bem-estar do ser humano, sempre interferindo com o objetivo de creditar à humanidade mais saúde mental e emocional, física e espiritual, dentro de suas sociedades humanas e naturais e de seus grupos e comunidades locais, regionais e globais. O Espírito do “Ápeiron” é concreto e intervém sempre em benefício do homem e da mulher, nas diversas situações da vida e nos seres que lhe servem de instrumentos de bondade e de paz no seu dia a dia, como é o caso de Jorge o Músico Violinista e de Paula a dançarina do Teatro Municipal. Eles são ferramentas do “Ápeiron” em nossa sociedade carioca de aqui e agora.

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Reflexos dessa Luz Eterna ou Força Providente ou Energia Poderosa a que chamamos “Ápeiron” se encontram fortemente na vida cotidiana de todos nós, desde os casos reais e acontecimentos atuais envolvendo família e trabalho, rua e supermercado, rádio e televisão, computador e internet, até situações extremas ou circunstâncias decisivas quando precisamos encontrar uma saída para as nossas dificuldades, uma resposta para as nossas perguntas , dúvidas e incertezas, uma solução positiva para os nossos conflitos diários e noturnos: esse raio de luz que nos aponta a resolução correta e imediata para dissolver as obscuridades da nossa mente, as anomalias do nosso corpo e as tempestades, inquietudes e instabilidades de nosso espírito, eis a presença do “Ápeiron”, a cura perfeita de nossos males, a salvação absoluta de nossas dores pessoais e sofrimentos sociais, a libertação completa de nossos transtornos psicológicos e distúrbios físicos, mentais e espirituais. Sem o “Ápeiron”, a insegurança toma conta de nós, perdemos o equilíbrio interno e a paz interior, ficamos sem as garantias de Alguém que intercede em nosso favor, intervém em nossa vida para nos encher de créditos e benefícios, e interfere em nossos afazeres domésticos e atividades de rua para nos cumular de graças e luzes, forças e talentos, carismas e poderes, energias e criatividade, com os quais podemos definir os melhores remédios curadores de nossa miséria espiritual, pobreza de alma e carência corporal. O “Ápeiron” é o Médico das consciências, o Fundamento das coisas boas que ocorrem na nossa vida de cada dia, a Tábua de Salvação que nos socorre dos riscos e perigos da existência, o Libertador de nossas almas, a Providência Divina, o nosso Advogado cotidiano, o Banqueiro da Vida que carrega de créditos e capital humano as nossas contas de todos os dias e todas as noites. O “Ápeiron” é a Bondade em pessoa. O Amigo dos amigos. Deus e Senhor. O Autor da Vida. O Criador.

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Quando os gregos antigos, antes de Sócrates, se referiam ao “Ápeiron”, depois de ouvirem as tradições de outros povos, seus costumes e lendas, valores e culturas, diziam que Ele era como uma Luz no final de um túnel. Este é como o mundo a nossa volta, o cotidiano que nos circula, a realidade que nos envolve, parcialmente obscura, mal iluminada pelos faróis de nossos carros, carregada de problemas de toda ordem, que exigem soluções muitas vezes rápidas e imediatas, emergentes, como insistissem em continuar vivendo a vida ainda que com as dificuldades do dia a dia e as contradições do ambiente ao nosso lado e em torno de nós. A Certeza de que no fim da chegada desse túnel sombrio, de lâmpadas ofuscadas e sem brilho suficiente para conduzir bem os seus transeuntes, existe uma Luz, já garante a fé e o entusiasmo dos automóveis, anima a sua corrida, motiva a sua caminhada, incentiva a sua jornada até essa Luz, o Sol da nossa vida, que nos fortalece durante o processo de chegada, nos dá a energia necessária para andarmos até o extremo, fortifica o nosso trabalho e o nosso movimento rumo ao objetivo final que é atravessar esse túnel escuro, negro de claridade relativa, preto de dúvidas, transtornos no camiinho e distúrbios na estrada. Mas estamos certos que existe uma Luz lá no final. Essa Luz é a nossa salvação. Assim é o “Ápeiron”. A Providência que energiza tudo e a todos. A Força que nos empurra para a frente e para o alto. A Estrela que brilha em nosso deserto espiritual, aquece a nossa solidão e acalora o nosso vazio existencial, abrasa os nossos nadas reais e atuais, carregando-nos de saúde e bem-estar, sinais de que Alguém caminha conosco, diante de nós, fazendo-nos seguir seus reflexos de Luz a conduzir a nossa estrada de vida. Eis o “Ápeiron”. Que na mistura dos acontecimentos ou na confusão das idéias, na complicação dos nossos conhecimentos e experiências, nas indefinições sentimentais e nos indeterminismos sociais, políticos e econômicos, sempre encontra uma alternativa de sucesso e uma opção de felicidade para nós e nossos companheiros de realidade e parceiros de cotidiano. O “Ápeiron” é uma Luz. A Luz.

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Segundo Anaximandro de Mileto e seus adeptos e seguidores, o “Ápeiron”, o Princípio da Vida, é constituido dos 4 elementos da natureza(ar, fogo, terra e água), que, por sua vez, dão origem a todos os seres e a todas as coisas que formam o universo. Nessa mistura de elementos naturais, certamente, está o segredo desse Fundamento de todos os fundamentos, Raiz do bem e da paz, Fonte da vida e da existência, Base do tempo e da história, e de toda a eternidade. Portanto, o “Ápeiron” é natural. Está inserido na natureza embora seja o seu Autor e Criador. Por isso, seguir a natureza, suas leis e reflexos, seus fenômenos e manifestações na realidade cotidiana, é uma opção que nos leva de fato ao “Ápeiron”, a reconhecer a sua Presença divina, humana e natural, real e atual, junto aos nossos problemas de cada dia, no interior de situações que envolvem o nosso destino espiritual e existencial, dentro das relações que estabelecemos com os outros, a partir de que sentimos a sua Providência trazendo-nos benefícios sem fim, créditos sem limites e favores que não se esgotam. É a energia do “Ápeiron” operando maravilhas em nossa vida diária, iluminando-nos diante das dificuldades e fortalecendo-nos perante os conflitos e contrariedades de todo instante. Ele é o Espírito da Luz, o Sol da nossa vida interior, o Farol que abre caminho a nossa frente, levando-nos por estradas seguras e estáveis, conduzindo nossos passos em direção da felicidade cuja fonte é a nossa liberdade, interventora da realidade e condutora de nossos planos e metas cotidianas. Somos livres mas também responsáveis por nossos destinos. Podemos contar com o “Ápeiron” nessa empreitada, todavia depende de nós as boas coisas que devem acontecer na nossa vida, da nossa opção real, da nossa alternativa de trabalho e das nossas possibilidades de ação e de comportamento no convívio diuturno que mantemos com as pessoas em torno de nós. Dependemos do “Ápeiron”, porém o “Ápeiron” depende de nós igualmente.

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